Complexidade Cultural

Olá,



Hoje venho falar de um tema um pouco mais complexo, o que eleva de imediato a seriedade do assunto, no entanto, não chega ser tão sério como parece.

Por se tratar de uma situação estritamente pessoal, existem muitos aspectos bastante específicos, mas ao contrário do que é, não pretendo tornar esta conversa demasiado vaga, há problemas, há dores de cabeça que são bases essenciais para perceber a minha posição, para penetrar no meu mundo pessoal e único, creio eu que seja.




Esta imagem, que encontrei ao pesquisar por "Portugal China" no Google, suscitou-me um interesse especial, pois transmite uma ideia de relação intrínseca que entretanto são peças separadas, uma comparação, ou metáfora como quiserem chamar,  que posso transportar para a minha vida minuciosa. Quando era mais jovem, não é que tenha 40, 50 anos, mas na adolescência, divertia-me com esta diversidade, este processo de heterogeneidade para homogeneidade, aproveitava cada momento que ele me proporcionava, o que era obviamente positivo e engraçado. Mas como tudo na vida, existem sempre duas faces de moeda, apenas não me tinha apercebido da face negativa, até recentemente, sensivelmente há um ano atrás, digamos. Afinal o que é que eu sou? é a questão que se põe a mim próprio desde então, uma dicotomia que surgiu à luz de alguns comentários aleatórios de alguns amigos, half chinese half portuguese, sinceramente não sei se ainda é uma divisão equilibrada entre eles, o que sinto é que o lado ocidental está a "engolir" e com grande velocidade o seu lado oposto, por inúmeras razões, por viver aqui, por conviver com os nativos, por crescer sob influência ocidental, ou a falta dela oriental, etc... etc... São incontáveis as consequências que sofro devida a este encaixar de duas peças, mal encaixadas ou não, não faço a mínima ideia, deixo-vos a vocês essa conclusão. 

Há, claro, muitos factores positivos no meio desta confusão, não digo nem nunca direi que não, eu próprio faço questão de comparar muitas vezes as duas peças, preferências por um lado, gostos por outro lado, e é assim que vou vivendo, e hei de continuar neste conflito por um bom tempo até me encontrar neste longínquo caminho de selvagem que é de terra batida, sem fim, sem desvios, nem atalhos, alone, pois é o necessário para descobrir a resposta, por mim e para mim.

Fico muito agradecido, contudo, por este país que me acolheu, penso que já deu muito mais do que o meu país de origem, tendo vivido até agora metade num, metade noutro, é aquela relação de amor e odeio, será? não tenho certeza, aliás, não tenho certeza de nada nesta altura. Crise de identidade, foi o que a Soraia chamou a isto, que seja Crise de Identidade, CI.


Uma observação interessante, tenho tentado em voltar um pouco "às origens" ultimamente, convivendo com amigos do meu país de origem, no início estava a adorar a experiência, mas passados alguns meses, o que eu consegui extrair, foi muito pouco, também devido a alguns factores exteriores, mudança radical nas relações pessoais, carga de tarefas, coincidiram com o período de experiência, ainda é cedo para concluir alguma coisa, mas tenho um bad feeling though...

Uma sensação de aperto no peito, uma pressão invisível que me deixa asfixiado, cérebro cansado, isso, cansaço, é o que tenho sentido mais, cansado de tudo, de ter um pé em cada mundo, sem conseguir ser inteiro em nenhum deles, nem conseguir equilibrar em termos pessoais os dois mundos, uma espécie de sanduíche entalado no meio.

É isso aí cara, espero que não me esqueci de nada para partilhar, é um desabafo pessoal que venho deixar aqui, é tudo uma complexidade cultural a um nível bastante pessoal, digamos que é mais uma Complexidade de Identidade de Quem é Imigrante, CIQI.


P.S.: uma coisa demasiado irritante que há muito já querer partilhar, uma raiva pública creio eu, é as pessoas andarem no passeio, espero que percebam o que quero transmitir aqui, certas e determinadas pessoas que não sabem comportar a andar num passeio... tenho uma mensagem para vocês:





Peace out!

Comentários

  1. Devo dizer que começo a pensar que esse sentimento é algo comum entre todos os emigrantes... vejo pela minha prima que é francesa mas venera Portugal. Ela só cá vem para férias então para ela é tudo bonito e em França ela auto-apelida-se como "A" Portuguesa... mas quando cá está já se revela com personalidade francesa até com certos comportamentos que ela tem, quando a vejo com o grupo de emigrantes lá da terra... têm um bocado dos dois mundos e é como se não fizessem parte de nenhum... estou super interessada no dia em que descobrires a resposta para isto.

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    1. sim, mas culturas europeias tem sempre alguma semelhança, o que acaba por ser mais positivo porque se calhar não é muito notória a diferença. E não tou a ver o dia em que descubro a resposta, por enquanto, so vejo um caminho escuro sem fim pela frente nessa matéria, infelizmente.

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